Meus guardados

Fabriano, Ingres, Canson, Strathmore, Hahnenmühle Artesanal. Todos  papeis para arte, com texturas, cores e gramaturas diferentes. E mais, papel japonês de arroz e o papel especial para cartas. Tenho todos os acima citados. Livres de ácidos, sobrevivem muito bem em nosso clima úmido e em gavetas de meu escritório caseiro. 

Staedler Karat, Caran D’Ache, Faber-Castel Da Vinci, lápis de cor que tenho. Pensando nos netos, comprei um conjunto Lamy 3plus com 12 cores básicas na Loja Bauhaus de Berlim. Grossos, curtos e de boa pega, são indicados para as pequenas mãos de crianças. Os meus netos já usaram e, sob protestos, deixaram sob minha guarda.  

Como  esquecer a fase das canetas tinteiro: Montblanc, Parker, Lamy, Waterman e Schaefer? As Waterman, frutos do mundo moderno, são de plástico!  Tenho 3 exemplares: um de tampa verde e corpo amarelo; outro de tampa violeta e corpo rosa; e mais outro de tampa vermelha e corpo preto…Usei-as muito em anotações de aula no curso de Comunicação Visual, bem antes da era do computador. Ao contemplá-las me lembro das centenas de cartas escritas e enviadas pelo correio. Email? Não era nem ideia, a munheca é que ditava as cartas.

Hoje me rendo às novas tecnologias, digito tudo no computador, classifico, arquivo, guardo. Mas adoro acariciar e ver minhas prendas. Elas mantêm viva minha insaciável busca pelo que desejo ter e guardar.

Sempre que arrumo meus guardados, vou longe. Arrumo, arrumo, arrumo. Tudo que tenho é importante. Me falam de viagens passadas, de outras mais recentes, e de uma infinidade de possibilidades artísticas.

Quando no exterior, buscava papelarias. Papéis, cartões, postais, elásticos e clips coloridos, canetinhas, lapiseiras e muitas outras novidades que moram nessa lojas me fascinam. Até bolas de gude comprei numa lojinha em Paris, numa esquina do Marais. Das melhores bolas de gude que tenho em minha coleção. 

Ao ceder à tentação, penso  “Pode ser que um dia eu precise …”. 

E assim a roda gira, e eu junto. 

Cada país tem seus destaques. A Itália é maravilhosa para papéis de arte, e envelopes feitos de dobradura, sem nenhum corte ou cola. 

Nova Iorque também tem ótimas lojas com tudo que aprecio. É só procurar onde se localizam as escolas de arte que encontramos várias delas. 

No SoHo, no sul de Manhattan, havia a Pearl Paint num prédio de 7 andares. Fechou as portas em 2014. Chorei. Cada andar era especializado em um tipo de material criativo, como tintas, papéis especiais, pincéis e materiais técnicos. Eu passava horas lá dentro! Deixei muitos dólares por lá. Saudades…

Um dos grandes destaques da loja eram os papéis japoneses. Rolos e rolos de maravilhas. Uma única folha já é uma obra de arte. 

No andar das tintas e pincéis, comprei a fina flor dos pinceis de sabre ou kilinsky: os ingleses Winsor&Newton, e os norte-americanos Grumbacher. De ultra fininhos a médios e  grossos. Animada por tudo que via, saí de lá uma vez com um conjunto de lápis para pastel oleoso. Permanecem intactos.

O negócio comigo é ter para reter e admirar. Usar? Só se for estritamente necessário, e com parcimônia. 

Em meio a uma dessas arrumações contemplativas e saudosistas, encontrei uma caixa marcada Martina e Vini (meus netos mais novos). Era um presente para eles, de Berlim! 

Não dei…

Fui sábia ao mantê-la comigo. Eles não dão valor, usariam pouco e mal, podendo até perder tudo. 

E eu? Guardo.

Vai que preciso desse material…

Rio, 30/08/2026

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *