Existe um porquê
– Uma homenagem à inesquecível Rita Lee –
— Bem! Onde cê tá?!
— Na cozinha!
— Sonhei com a Rita Lee! Foi o maior barato.
— Nossa! Você só fala em Rita Lee, parece disco enguiçado.
— Segura o ciúme, gatinha… Vai fazer greve de fome?
— Lá vem você com bobagem. E o sonho?
— Ah! Muito bom. Ela chegou sorrindo, aquele jeitão dela, o cabelo vermelho — não, não foi na época do cabelo vermelho, foi antes, o cabelo natural.
— Quando ela era jovem, e já incomodava todo mundo.
— Para com isso… Ela veio cantarolando meu bem você me dá água na boca. Uau, arrepiei!
— Claro, tua música favorita…
— Juro, cantarolou PRA MIM. Zangadinha, vem cá, chega mais…
— Agora não, tô com panela no fogo, atrasada com tudo. Chega pra lá, você vai se queimar.
— Meu bem, me abraça, sanduíche de gente é bom demais.
— O dia já começou, seu sonhador. Quer perder o emprego sem culpa nenhuma, ao som de um bolero…
— Bolero não! ODEIO bolero.
— Mas é Rita Lee.
— Essa música eu não escuto. Só leio a letra, em voz alta, pura poesia… e pensando em nós dois…
— Me solta, deixa eu apagar o fogo.
— Não apaga o fogo não, quero teu corpo caliente…
— Espera, espera. Ai! para, para…Ai! Ai!…
— Passar dos limites…sem culpa nenhuma
— Ai! Ai!
— Nada melhor do que…deitar e rolar com você
— Num dolce farniente, desempregados…
— Vestindo fantasias, tirando a roupa…relaxando a tensão
— Ah! Chega mais…
Rio, maio de 2023