Participar de uma Oficina Literária
Participar de uma oficina literária é mais do que aprimorar habilidades de escrita. É habitar o espaço do acolhimento, de trocas e estímulos entre pessoas que, como eu, querem desenvolver sua expressão, sua fala. Há liberdade e segurança para abordar qualquer assunto, sem medo de julgamentos ou críticas. Na oficina sinto minha voz, sinto que me ouvem. Muito peso é descartado e espaços se abrem para o novo.
O convívio com mestre e companheiros motiva e frutifica. Não estou em busca de dinheiro ou fama, mas de satisfação e plenitude — sentir minha vida pulsando com o ato de criar.
Somos escritores em crescimento compartilhando a mesma viagem: a da magia, do encantamento e do reconhecimento de que muito podemos aprender, absorver e realizar. Apesar de termos bagagens de vida distintas, nos unimos pela vontade de externar nossas verdades, sejam elas inventadas ou realmente vividas.
Prontamente encaro as tarefas. São horas e horas em uma cadeira, bordando e rebordando textos que brotam como flores delicadas e belas ou espinhosas e feias. Seja como forem, essas palavras falam de mim — são espelhos.
E como acontece esse aprendizado? Será que realmente nos ensinam a escrever?
Não basta apenas a vontade de ensinar, tem que haver, também, a vontade de aprender. O ensinar e o aprender são vias de mão dupla em constante interação. É um processo dinâmico de dar e receber que acontece tanto no papel do mestre quanto no do aluno. O professor, com habilidade, nos apresenta conceitos, teorias, e ferramentas para a composição de textos, demostrando conhecimento e competência. Ele nos ajuda a enfrentar as dificuldades da escrita. Revela-se para o aluno, que reage com motivação, desejo de investir em si mesmo e ter confiança para ousar, expressar ideias e sentimentos, e encontrar seu próprio fluxo criativo.
Semanalmente, apresentamos nossos escritos para serem comentados por todos, alunos e professor. Tudo que ouço e leio nos encontros e nas propostas apresentadas me impacta e desperta emoções e surpresas. Às vezes, por alguns minutos, me sinto perdida no vazio, sem conseguir pensar ou refletir sobre o que foi exposto. Mas, logo os desafios fazem sentido, temas nascem, e o desejo de prosseguir, custe o que custar, me invade. Estimulada e motivada, enfrento as propostas, e consigo vislumbrar quem sou e quem poderei ser.
O trabalho de escritor é árduo, requer dedicação e constância. Mas, quando alcanço bons resultados, textos de qualidade, sinto um prazer indescritível.
Sou idosa, quero me manter saudável, com força e vigor para aproveitar ao máximo os meus dias. Na oficina literária, sinto que estou protegida pelo carinho e incentivo que recebo, e fortalecida pelos sonhos que insisto em revelar.
A temida demência associada à velhice parece, no meu caso, ser algo improvável, pois, no espaço acolhedor da oficina me sinto desafiada e nutrida constantemente.
8/03/24